Senador Aécio fala sobre eleições municipais, obras do Anel Rodoviário de BH, governo Dilma e obras da Copa do Mundo

Senador Aécio Neves: Governo de Minas

Data: 18-06-12
Local: Belo Horizonte

Assuntos: eleições municipais, obras do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, governo Dilma, obras da Copa do Mundo de 2014

Sobre as críticas e cobranças ao governo federal. Isso mostra uma dificuldade de sintonia entre o senhor e o governador?

Ao contrário. Mostra uma ação complementar. Eu, enquanto governador, nos oito anos que aqui estive, mantive, com o presidente Lula, também, uma relação absolutamente republicana, e ele teve também, em determinados momentos, ações importantes em favor de Minas. Agora, cabe a mim, é meu papel como parlamentar, defensor dos interesses de Minas Gerais, cobrar resultados. Estamos assistindo, na verdade, são os mesmos compromissos reeditados, e com muito atraso. Essa questão mesmo do Anel (Rodoviário de BH) é algo que poderia ter ocorrido ainda no meu governo. Desde o inicio conversamos. Eu, com o próprio presidente, conversei sobre isso inúmeras vezes. Estamos aí com o lançamento de um projeto, pelo menos um conjunto de boas intenções, que respeitamos, mas que precisa ser acompanhada a par e passo, porque as experiências que temos com o governo federal são de muitos anúncios e poucas obras. Esse projeto é algo para daqui a cinco/seis anos estar efetivamente em obras, acontecendo ou pronto pelo menos. Então o que alertei é isso, o atraso para a tomada de decisões, a dificuldade que o governo federal tem de transferir para os estados essas responsabilidades. Esse centralismo decisório do governo federal faz mal ao país. O Brasil está deixando de ser uma federação, estamos nos transformando quase em um estado unitário, tamanha a concentração de receitas e de poder nas mãos da União. Isso gera todo tipo de problemas. Atrasos, desvios, incompetência. Então, o que tenho cobrado é isso. O governo, a meu ver, apresenta poucos resultados, o governo federal, e evita descentralizar, delegar, a estados e municípios algo que já poderia ter feito.

Essa exposição da Dilma em Minas não pode atrapalhar uma possível candidatura do senhor em 2014? Porque a Dilma tem vindo muito a Minas e anunciado esses recursos.

Ela é muito bem vinda a Minas Gerais. É nascida em Belo Horizonte. Quero que ela continue vindo, mas quero, principalmente, que os investimentos venham; que o problema da BR-381 seja solucionado, que o problema do metrô seja efetivamente solucionado, já com atraso enorme.  Nos últimos 12 anos de governo do PT não tivemos um centímetro de metrô em Belo Horizonte e estamos vendo o caos que está o trânsito na nossa capital. É importante que ela venha quantas vezes quiser, mas é muito importante que venham os resultados. Quem hoje tem condições de fazer investimentos é o governo central, que concentra hoje mais de 60% de tudo que se arrecada no Brasil. Isso tem sido perverso para o Brasil. O meu papel é denunciar isso, meu papel é dizer que precisamos fortalecer os estados e municípios. Temos apresentado uma pauta de discussões no Congresso nessa direção. Vocês citaram aqui o tema da renegociação das dívidas. Não se justifica, nós, hoje, estarmos pagando o que pagamos, o governo virou agiota dos estados e municípios. O setor privado pega recursos do BNDES mais barato que o setor público paga à União da sua dívida. E nós é que temos que prover saúde, segurança, educação, infraestrutura. Então, acho que é uma distorção grande da federação e esse governo, a grande verdade é essa, não tocou a fundo nessas questões. É mais do mesmo sempre, são medidas paliativas, anticíclicas como gosta de dizer o ministro Guido Mantega, mas sem absolutamente nada estrutural. O governo do PT perdeu a capacidade de inovar, de ir com vigor nas questões mais profundas, no campo tributário, no campo da própria gestão pública, da própria administração. Isso temos que estar denunciando permanentemente e é o que vou continuar fazendo.

O senhor acha que o Anel Rodoviário, o Metrô, até a Copa não vai sair? São promessas que vão ficar no papel?

Não há a menor hipótese de sair até a Copa pelo atraso do próprio governo. Na verdade o que vai acontecer nessa Copa de positivo, o que vai estar pronto efetivamente são os estádios, que são de responsabilidade dos estados. Até brinquei outro dia dizendo que alguém precisava avisar ao meu amigo, o ministro Aldo Rebelo, que está na hora dele começar a visitar os aeroportos, as obras de mobilidade, porque os estádios estão ficando prontos, os estados é que estão tocando e, em alguns casos, a iniciativa privada como é o caso dos clubes, como é o caso de São Paulo. Então esse não é o problema. Agora, as obras de mobilidade estão todas com atraso enorme. Por quê? Porque a Copa no Brasil foi anunciada em 2007, inclusive eu estava lá com o presidente Lula, e até o ano de 2010 não se moveu uma palha. Ninguém se movimentou, ninguém teve a iniciativa de fazer, por exemplo, parcerias público-privadas no campo da mobilidade, dos aeroportos. Estão aí agora, Confins até agora aguardando o processo de concessões. Por quê? Esse mesmo processo de concessões que começa ocorrer agora – assinaram os contratos de 3 aeroportos há uma semana -, esse mesmo modelo eu, ao lado do então prefeito, Fernando Pimentel, hoje ministro do Desenvolvimento, levamos ao presidente da República e a então chefe da Casa Civil esse modelo. Isso há sete anos atrás. Era para isso estar pronto. Pronto, funcionando. Então o governo é lento, tem ainda uma contradição interna, que eu poderia chamar de doutrinária porque alguns acham que o setor privado pode participar, outros setores do PT acham que o setor privado não tem que participar porque é área de segurança nacional, uma coisa atrasadíssima. Se convenceram de que esse é o caminho, mas com enorme atraso. Não teremos, em Belo Horizonte, Metrô, não teremos Anel para a Copa do Mundo, de nenhuma forma, simplesmente porque não dá mais tempo de fazer.

O senhor acha que a oposição não está tão competente assim em relação ao governo Dilma, que a popularidade dela está só aumentando. Está faltando alguma coisa de vocês, da oposição?

Acho que a popularidade da presidente tem as suas razões. Ela é uma mulher de bem, eu a respeito. Mas quando os resultados do governo forem comparados lá adiante. O que o governo faz na saúde pública. Você sabia que no governo do PSDB, 46% de tudo que se investia em saúde pública vinha do governo federal. Hoje, 30%. Hoje, 84% de tudo que se gasta em segurança pública no Brasil vem dos estados e municípios. Apenas 16% do governo federal. Isso tudo vai ter que ser colocado lá na frente isso vai ter que ser enfrentado pelo governo e não via adiantar mais falar de herança maldita, jogar isso no colo do antecessor. Porque o antecessor são eles próprios. Então, esse é um primeiro momento. Estamos ainda com a situação econômica razoável no Brasil, estamos ainda sem sofrer mais violentamente os efeitos da crise, mas acho que a boa oposição, na hora certa, vai ter um discurso muito forte de cobrança em relação à ineficiência do governo e também com propostas novas de descentralização, de parceria com estados e municípios para solucionar alguns problemas graves que temos hoje.

Como o senhor está se colocando na associação de Belo Horizonte. Estão dizendo que o senhor está pulverizando seus apoios.

Eu apoio, desde que ele tinha 0% nas pesquisas, Marcio Lacerda. Não é agora que vou deixar de apoiá-lo. A minha base é muito ampla. A mesma coisa é a base da presidente Dilma. Ela está espalhada por todos partidos. Eu não posso é estar obrigando a todos que estejam no mesmo barco. Cabe, obviamente, ao prefeito ampliar a sua base, e ele tem feito isso com competência e o PSDB em paz, sem divisões, sem rachas, sem disputa de vaidades, está unido e estará unido em torno da reeleição de Marcio Lacerda porque ela é boa para Belo Horizonte.

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