Entrevista senador Aécio Neves em apoio à candidatura de Marcio Lacerda à prefeitura

Senador Aécio Neves: Eleições 2012

Quero cumprimentar primeiro os companheiros, dirigentes partidários, parlamentares. Quero começar contando um pouco a história que nos permitiu checar até aqui. É muito importante que as coisas fiquem muito claras, sem as paixões ou mesmo as versões de lado a lado. Há quatro anos, quando resolvermos apoiar o nome de Marcio Lacerda à Prefeitura de Belo Horizonte, nós, do PSDB, e vários outros partidos aliados fizemos isso porque achávamos que Marcio era o melhor nome para  administrar a cidade, o que se provou verdadeiro ao longo desses últimos anos, já que ele é o prefeito de capital mais bem avaliado do Brasil, segundo várias pesquisas. Digo isso para reafirmar que estamos onde sempre estivemos. O que pensávamos há quatro anos, pensamos hoje. Que Márcio é a melhor alternativa para Belo Horizonte. O PT, pelo menos até sábado passado, às 11 horas, parecia pensar da mesma forma.

A diferença de posicionamento nossa fica muito clara na nossa postura há quatro anos, quando para atender um capricho do PT, mas pensando em Belo Horizonte, nos dispusemos a inclusive não participar formalmente da chapa, o partido que abraça o Maluf em São Paulo colocando dificuldades para que estivéssemos juntos há quatro anos atrás. Mas pensamos em Belo Horizonte, estivemos ao lado do Marcio, contribuímos para sua vitória. Nesse processo atual, não nos incomodamos em momento nenhum, por exemplo, que o PT indicasse mais uma vez o candidato a vice-prefeito, mesmo tendo tido o PSDB um desempenho nas últimas eleições em Belo Horizonte algumas vezes superior ao do PT, porque pensamos em Belo Horizonte. Não nos importamos que o PT tivesse a maioria dos cargos estratégicos sob seu comando na Prefeitura de Belo Horizonte. Já que o prefeito ia bem, um homem sério, honrado, preparado, prevaleceu o interesse de Belo Horizonte. Isso é importante que fique absolutamente claro. Obviamente, nos surpreendemos com as notícias mais recentes de que são mais de 900 cargos comissionados, mas nem isso fez nos afastarmos do Marcio. No momento em que o PSDB resolve, não atendo inclusive a uma ponderação ou solicitação nossa de uma coligação proporcional, aceitamos que o PSB buscasse seu caminho. É o partido do prefeito, lançasse sua chapa de vereadores. Então, para ficar muito claro que em momento nenhum nós impusemos absolutamente nada.

Mas o PT repete aquilo que vem fazendo ao longo da sua história. Sempre que o PT tem que optar pelo interesse público e o PT, o PT fica com o PT. É importante traduzir para as pessoas o  que significa coligações porque começamos a falar: o rompimento de seu por conta de coligação proporcional. O que o PT queria, na verdade, era eleger sua chapa de vereadores às custas dos votos do PSDB. Para fragilizar o prefeito, fazer do prefeito refém da força do PT. Isso não era ruim para o PSDB, isso era ruim para o prefeito e foi essa a decisão que o PSB tomou, de ir solitariamente. Portanto, o PT repete a sua história. Se quisermos voltar no tempo, foi assim na eleição de Tancredo, quando o PT se negou a dar a ele apoio no Colégio Eleitoral, foi assim no Plano Real, quando o PT se negou a aprová-lo, o que interessava era o projeto do PT, foi assim na Lei de Responsabilidade Fiscal, quando o PT mais uma vez votou contra, porque aquilo não interessava a ele do ponto de vista político.

Quero dizer que estou extremamente tranqüilo por um lado, por termos feito o que era correto, priorizado o interesse de Belo Horizonte, mas muito feliz por termos ao nosso lado 18 partidos políticos que se somam à candidatura de Marcio Lacerda. Mas salta aos olhos da gente, e isso divido com vocês, o caminho que o PT tem buscado ao longo dos últimos anos. O PT, que nasceu com uma proposta diferente, um partido das bases, que respeita as decisões  dos seus membros, virou o partido da intervenção. Em São Paulo, o PT tinha uma candidatura natural, que dividia a liderança das pesquisas com o nosso candidato, a candidatura da minha colega senadora Marta, houve uma imposição de outro nome. Em Recife, agora, nos últimos dias, por uma ação impositiva da direção nacional, desrespeitando uma prévia interna, o PT acaba perdendo um dos seus melhores quadros, o meu colega Maurício Rands se desfilia do PT e abandona a vida pública por não aceitar essa intervenção. E a construção, e esse é o dado para o qual chamo a atenção, que está sendo feita é uma construção intervencionista. É o que está acontecendo. Primeiro, dentro do próprio PT, quando uma candidatura colocada, de um militante que defendia uma tese, sei lá por quais argumentos, é obrigado por uma decisão da direção nacional a ceder o posto a outro filiado ao PT.

Quero, da mesma forma que cumprimento os companheiros que estão ao nosso lado, pela bravura, pela resistência, quero externar minha mais absoluta solidariedade aos companheiros do PSD, que tomaram uma decisão local. Aqueles que vivem em Belo Horizonte, que sofrerão as conseqüências, boas ou más, das administrações municipais, que tomaram uma decisão, estão sendo atropelados por uma decisão da direção nacional, externa aos interesses de Minas Gerais. Quero externar minha solidariedade aos amigos, mesmo com os quais temos divergências políticas, do PCdoB, que em Belo Horizonte tomaram a decisão e optar pela cidade e estão sendo constrangidos a ir em uma direção contrária. O que quero afirmar para vocês é que desde a proclamação a República, Minas sabe escolher seus caminhos. As construções políticas que são feitas além das nossas fronteiras, além das nossas montanhas, não costumam aqui dar certo. A candidatura do Marcio, com a presença desse companheiro, deputado Délio Malheiros, ao seu lado, é uma construção mineira, que atende aos interesses de Minas, e essa deve ser uma eleição municipal, como são todas as eleições municipais. Outros querem nacionalizá-la.

Confesso que me surpreende em ver a própria presidente da República, no momento em que o Brasil se vê paralisado por uma crise que o governo até hoje, ou até ontem, desconhecia, para sua agenda para interferir nos partidos políticos e solicitar, como fez ao PMDB, ou impor, como fez ao PMDB, que também interviesse e fazendo com que o candidato colocado, o correto e sério deputado Leonardo Quintão, abandonasse sua candidatura.

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