Como trucidar um patrimônio dos brasileiros

Artigo do Instituto Teotônio Vilela (ITV)
Publicado em 06-08-12

Os brasileiros foram surpreendidos na noite da última sexta-feira com a informação de que a maior empresa do país produziu um prejuízo histórico. Transformar uma gigante como a Petrobras numa companhia deficitária é mais uma das notáveis realizações do governo petista. Nos últimos anos, a cada vez que se pensou que a estatal já chegara ao fundo do poço, sua situação sempre piorou um pouco mais. Qual será o limite?

O prejuízo da Petrobras no segundo trimestre foi de R$ 1,346 bilhão. É a primeira vez que isso acontece em 13 anos e a terceira vez na história da companhia. Diferentemente de agora, nas outras duas ocasiões as condições gerais da economia eram muito mais críticas: seja pela maxidesvalorização cambial, no primeiro trimestre de 1999, seja pelo desarranjo geral do país no governo Fernando Collor, no quarto trimestre de 1991.

O câmbio é apontado pela companhia como um dos fatores que levaram ao rombo. Mas é apenas o menor dos culpados. O que conduz a Petrobras a um mergulho que não se sabe em quão profundas águas irá parar é uma política equivocada ditada pelo Palácio do Planalto, que obriga a empresa a produzir com prejuízo e de maneira crescentemente ineficiente.

De 2003 até hoje, ou seja, ao longo de todo o período do governo do PT, a Petrobras jamais conseguiu cumprir suas metas de produção. Há três anos a quantidade de petróleo extraído está estagnada – no segundo trimestre, caiu 4% – e são ralas as chances de que se recupere até 2013. Sem novas refinarias no horizonte, o país também continuará a conviver com escassez de derivados pelos próximos três ou quatro anos.

A principal razão para a derrocada da estatal é a política de preços para os combustíveis praticada no país nos últimos anos. A Petrobras paga pelo diesel e pela gasolina que importa muito mais do que cobra ao revendê-los no mercado interno: no primeiro semestre, o saldo líquido negativo nestas operações atingiu R$ 9,4 bilhões, segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Trata-se da principal marreta usada pelo governo petista para segurar a inflação no país. Desde 2005, os preços de gasolina e diesel não são reajustados no varejo, embora as cotações internacionais tenham escalado – hoje o barril do tipo Brent supera US$ 108. Com isso, apresentam defasagens de 14% e 17%, respectivamente, em relação ao mercado global.

A equivocada política afeta, de tabela, a produção de etanol. Em decorrência do congelamento dos preços, o país que outrora foi saudado como potência do biocombustível viu sua produção de etanol cair 17% na safra 2011/2012, ao mesmo tempo em que teve que recorrer à importação de 1,45 bilhão de litros para evitar o desabastecimento do mercado. O que se apresentava como portentosa promessa foi arrasado pela incúria petista.

Sob as garras do PT, a Petrobras tornou-se exemplo de mau negócio no mundo. Só neste ano, já perdeu mais de R$ 26 bilhões em valor de mercado e tornou-se patinho feio no mercado de capitais. Segundo o banco Credit Suisse, a estatal brasileira tem os piores níveis de retorno no refino quando comparada com outras 15 empresas globais.

“A depreciação das ações da Petrobras chegou a um ponto tal que a estatal brasileira já está sendo comparada negativamente com a argentina YPF, que recentemente foi reestatizada e que enfrenta vários problemas na Argentina”, informou o Valor Econômico na semana passada.

Desde a operação de capitalização da empresa, em 2009, as ações da Petrobras já caíram mais de 40% – percentual que deve se acentuar nos próximos dias, a partir da divulgação do histórico prejuízo. Vale comparar: no governo Fernando Henrique, os papéis da empresa subiram 386%, fruto da adoção de práticas de mercado e da melhora da governança.

A Petrobras também se ressente de outras escolhas equivocadas ditadas no governo Lula e ainda não alteradas pela gestão Dilma Rousseff. A política de conteúdo local limita e encarece seus projetos, diante da dificuldade da indústria nacional de atender plenamente as demandas. Além disso, alguns de seus principais investimentos pecam pelo desmazelo.

Ontem, O Estado de S.Paulo mostrou que a refinaria Abreu e Lima, por exemplo, poderia custar quase um décimo do previsto. Seu orçamento, que começou em US$ 2,3 bilhões quando a obra foi lançada em 2005, já ultrapassa US$ 20 bilhões. A negligência também mantém a obra da refinaria Premium II, “lançada” por Lula em 2010 no Ceará, como um imenso matagal.

É difícil aceitar que uma empresa que tenha faturado R$ 68 bilhões feche o trimestre no vermelho. Mas o que se verifica na Petrobras é o mesmo descontrole e a mesma ineficiência que grassam na administração do setor público na gestão petista: as receitas nunca são suficientes para cobrir as despesas. É a forma mais eficaz de trucidar um patrimônio de todos os brasileiros, que está sendo arruinado pelo PT.

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