PTbras – Artigo do senador Aécio Neves para a Folha de S. Paulo

Aécio Neves: artigo Folha S. Paulo
Nunca antes na história deste país a mais importante empresa
brasileira serviu tanto aos interesses do governo e de um partido. O
petismo praticamente “privatizou” a Petrobras, colocando em segundo
plano os interesses da empresa e do Brasil.
A Petrobras não cumpre metas de produção desde 2003
e, com isso, perdeu receita de R$ 50 bilhões. Os prejuízos com a
importação de gasolina e diesel neste ano já somam R$ 2,9 bilhões, valor
239% superior ao do mesmo período de 2011 (R$ 648 milhões).
De quebra, os preços artificialmente baixos da
gasolina vêm inviabilizando o etanol. As importações de gasolina
aumentaram em 370% em relação ao mesmo período de 2011. Mas as
incongruências não param aí: o custo da refinaria Abreu e Lima
(Pernambuco) –projeto em “parceria” com a venezuelana PDVSA, que ainda
não aportou nenhum recurso na obra– multiplicou-se por dez, de US$ 2,3
bilhões para US$ 20,1 bilhões.
As refinarias Premium I e II (Maranhão e Ceará),
previstas para 2013 e 2015, foram adiadas para 2017. Também em
decorrência de atrasos crônicos, o Comperj mantém encaixotados
equipamentos sofisticados à espera do porto e da estrada que dariam
apoio logístico à obra e que não existem.
A Petrobras comprou uma refinaria em Pasadena (EUA)
por US$ 1,18 bilhão, em duas etapas, quando a ex-sócia adquiriu o ativo
por US$ 42,5 milhões sete anos atrás. Trata-se de uma valorização de
2.700%.
O navio-petroleiro João Cândido voltou ao estaleiro
Atlântico Sul por erros de projeto e entrou em operação com dois anos de
atraso. Há dúvidas sobre as demais encomendas, visto que o sócio
detentor da tecnologia –a coreana Samsung Heavy Industries– abandonou a
parceria e não há substituto.
Desde o processo de capitalização em 2010, o
comportamento das ações da Petrobras ficou abaixo do Ibovespa. Agora, a
presidente da empresa, Graça Foster, parece estar disposta a enfrentar
os malfeitos herdados pelo petismo do próprio petismo, em uma década de
desapreço pela gestão profissional. No entanto uma gestão com os
diagnósticos corretos não será capaz de inverter esse quadro de
deterioração se não houver uma mudança de orientação do governo Dilma,
que é o acionista controlador, em relação à Petrobras.
Garantir maior transparência dos atos e motivações
que definem as decisões da empresa é uma das questões que se colocam.
Outro bom começo seria combater o aparelhamento a que a companhia vem
sendo submetida. Uma empresa estratégica e complexa como ela não pode
funcionar como moeda de troca pelo apoio de partidos ao governismo.
O maior desafio é, portanto, acabar com a PTbras e trazer de volta para os brasileiros a Petrobras.
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