Entrevista coletiva do senador Aécio Neves – Jundiaí-SP

Senador Aécio Neves: Eleições 2012

 

Começando nas campanhas eleitorais em todo o país?

Começando com o pé direito numa cidade que é respeitada no Brasil inteiro pela eficiência em sua administração. Jundiaí é um modelo de gestão pública que honra o PSDB e que deve ser propalada por todo o país. Continuarei caminhando por outras cidades levando não apenas a minha solidariedade, mas dando exemplos de que onde o PSDB governa, governa bem, os resultados acontecem em todas as áreas. Aqui em Jundiaí, Luiz Fernando talvez seja, na nova geração de homens públicos do Brasil, um dos mais bem preparados. Já é uma liderança no Congresso Nacional e vai ter a responsabilidade de dar continuidade a uma das administrações públicas mais bem avaliadas do Brasil. Jundiaí é para nós, na administração de Miguel Haddad, um exemplo. E o PSDB é isso, um conjunto de administradores públicos que trocam experiências, que convergem nos mesmos objetivos, que tem na ética uma moldura para suas ações. Acho que neste momento em que o Brasil vive, é muito importante reafirmarmos os nossos valores, os nossos princípios e dizermos que não há nenhuma ação de maior alcance social do que a boa administração do dinheiro público. Com transparência e, sobretudo, com resultados. É isso o que acontece em Jundiaí e, por isso, inicio esta minha jornada para me inspirar aqui na administração de Miguel Haddad e, certamente também, do talento político de Luiz Fernando.

Sobre este momento que o Brasil vive, qual a avaliação que o senhor faz até agora sobre o julgamento do mensalão que acontece em Brasília?

É de alguma forma o Brasil iniciando uma nova etapa. Acho que não apenas a ação política, mas a sociedade brasileira sobe de patamar. Acho que a Justiça brasileira está com isenção, com absoluta seriedade, dando uma demonstração de que a impunidade não pode grassar no Brasil como grassou nos últimos anos. O mínimo que vai acontecer após o mensalão é aqueles que acham que podem misturar o público e o privado vão ter um cuidado além daquele que tiveram até aqui. E esta infelizmente vem sendo uma marca na trajetória do Partido dos Trabalhadores, do PT, uma dificuldade muito grande de diferenciar o que é público do que é privado. O que é lógico em qualquer democracia são os partidos políticos estarem a serviço do Estado. Os partidos políticos se colocarem a serviço do país. O PT inverteu esta lógica. Colocou o país a serviço do seu projeto de poder e perdeu a capacidade de iniciativa das grandes reformas, dos grandes enfrentamentos, para superar os gargalos que temos hoje. O Brasil mais uma vez caminha para um crescimento este ano, menor ainda do pibinho do ano passado. Paramos na discussão das grandes reformas dentro do Congresso Nacional. No campo da infraestrutura, o que acontece no Brasil é triste. Há, eu diria, uma certa vergonha dentro do governo de saltar do patamar na compreensão de que a parceria com o setor privado é essencial para alavancar os investimentos na infraestrutura seja nas rodovias, seja nos portos, seja nos aeroportos. Então, não há convicção do governo em relação mesmo a esses anúncios feitos algumas semanas. Infelizmente, o Brasil está estagnado do ponto de vista de sua infraestrutura e do ponto de vista da economia, quando o governo não tem ousadia para fazer as grandes reformas, seja no campo previdenciário, na própria administração pública e a própria reforma política, isso impede que o Brasil tenha a competitividade necessária para querer crescer em níveis aceitáveis. Somos o país que menos cresce hoje na América do Sul e isso é muito triste.
A disputa nos principais centros como Jundiaí e Ribeirão Preto está polarizada entre PSDB e PT. Esse momento de mensalão é um marco para o partido mostrar as diferenças de governos de tucanos e petistas?

Tradicionalmente, as eleições municipais têm um foco muito local e o natural é que sejam discutidas questões locais. As administrações exitosas sempre tendem a ser aprofundadas e ter continuidade. Aquelas que fracassaram, obviamente, tendem a perder as eleições. Mas é natural que a sociedade brasileira acompanhe hoje com maior atenção o comportamento ético dos candidatos. Acho que essas eleições nos permitirão também, além dos debates locais em relação à infraestrutura local, em relação à questão do transporte e da saúde, da própria educação, acho que vai haver nessas eleições, diferente talvez do que ocorreu em outras eleições, uma discussão um pouco mais profunda sobre o padrão ético. O que é necessário para alguém fazer vida pública. E isso acho que é uma discussão que PSDB pode fazer com muita tranquilidade e com muita serenidade. Não é que queiramos trazer a questão do mensalão para o cerne, para o núcleo da campanha. Vamos discutir os temas locais, mas vamos introduzir sempre o componente ético como fundamental para quem queira fazer vida pública. Isso aqui em Jundiaí, tanto o prefeito Miguel, quanto Luiz Fernando, têm de sobra.

A presidente se reuniu com Lula ontem em São Paulo exatamente para discutir eleições municipais. O senhor acha que há uma movimentação do PT preocupada com os resultados?

Acho que é natural que eles se reúnam. São companheiros de partido. Achei apenas exagerada a forma como a presidente da República reagiu a um artigo do presidente Fernando Henrique. O presidente Fernando Henrique debate temas. O presidente colocou fatos, aliás, nenhum deles contraditados pela presidente da República. Fez uma carta dura de acusações políticas, talvez em solidariedade política e pessoal ao presidente da República, mas seria mais produtivo para o Brasil se os temas ali colocados pelo presidente, a crise moral que atingiu o governo da presidente no primeiro ano, as questões às quais me referi agora de infraestrutura, a situação trágica da Petrobras que hoje vale menos do que valia dois anos atrás. Esses pontos foram colocados pelo ex-presidente da República, Fernando Henrique, não como um ataque pessoal à presidente Dilma ou a quem quer que seja, mas são fatos, fatos facilmente constatáveis e a resposta veio no campo político. Me lembro que o ex-presidente Lula dizia que quando saísse da Presidência, ele ia mostrar como deve agir o ex-presidente da República. O que eu vejo é o inverso. O ex-presidente Fernando Henrique debate temas, fala do país, fala do futuro, participa dos grandes fóruns internacionais, e o ex-presidente Lula, o que eu vejo, se preocupa muito mais com a solidariedade a seus companheiros de partido do que com aquilo que realmente interessa ao país.

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