O que restou do dia 10 de fevereiro de 1980?

Assim como a luta pelos interesses dos trabalhadores motivou a criação do PT, seu distanciamento da ética pública se tornou a chaga para sua deterioração enquanto instituição política.



 Aécio Neves, líder da oposição no Congresso Nacional, sempre defendeu uma ação responsável e propositiva em relação ao governo federal, desde quando o PSDB deixou a Presidência da República, em 2003. E assim se mantém mesmo tendo todos os motivos para não respeitar, nem mesmo institucionalmente, um partido que não cansa de dar provas de seu descompromisso com a memória e com o futuro da população brasileira. A condenação dos grandes líderes e “cabeças” do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é mais um triste capítulo que o PT escreve na história política do Brasil.

Assim como a luta pelos interesses dos trabalhadores brasileiros foi o grande mote para a criação do PT, seu distanciamento da ética pública e dos interesses populares têm se tornado a chaga para sua deterioração enquanto instituição política.

Durante os seus primeiros 30 anos de existência, o Partido dos Trabalhadores ocupou o papel nacional de oposição. E diferentemente do que a atual geração, que vê Aécio Neves como o líder da oposição, o PT nunca se posicionou como uma legenda debatedora, fiscalizadora ou propositiva. Sempre foi contra qualquer ação ou iniciativa de seu campo político contrário, mesmo que enxergasse ali uma boa ação para modificar a realidade social ou econômica do país.

O PT foi contra o Plano Real, que sabidamente traria – como trouxe – a estabilidade monetária tão sonhada pelos brasileiros; foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, com benefícios morais inquestionáveis nos dias de hoje; votou contra a adoção de metas de inflação e chegou ao ponto de ir contra projetos sociais iniciados pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os quais foram pilares para seus próprios programas nos governos Lula e Dilma Rousseff.

Se nestes 30 primeiros anos, o PT renegou a sociedade brasileira ao segundo plano, fazendo oposição partidária quando se esperava dele uma voz questionadora e colaborativa para o bem da população.

Já nos últimos 10 anos, quando assumiu a posição de governo, o Partido dos Trabalhadores mostrou sua segunda face, ainda mais perniciosa: a total falta de moralidade no tratado dos recursos públicos, a ausência absoluta de ética na ocupação de cargos públicos e na inacreditável partidarização das políticas públicas.

A condenação da cúpula do PT no maior esquema de desvio de recursos públicos já visto na história do país é vergonhoso para nós brasileiros. Mas é ainda pior para os homens e mulheres que no dia 10 de fevereiro de 1980, em São Paulo, escreveram o Manifesto de Fundação do PT que, entre outras coisas, primava pela ética, moral e respeito aos trabalhadores brasileiros.

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