Choque de Gestão e Desigualdade Gerencial

A cada dia fica mais evidente o interesse do país, inclusive de prefeitos, sobre as medidas que compõe o Choque de Gestão criado em Minas Gerais pelo ex-governador Aécio Neves e que se baseia em gastar menos com a máquina administrativa e mais com o cidadão, combatendo o desperdício e a ineficiência e buscar novas ferramentas de gestão que melhorem a qualidade dos serviços públicos e garantam mais transparência. Medidas importantes foram introduzidas no estado na época, como a criação de auditorias preventivas e a determinação de que apenas pessoas certificadas pela UFMG possam ocupar determinadas funções combatendo o compadrio, a ocupação da administração por profissionais sem a competência necessária.

A importância da gestão, introduzida no rol de prioridades do país pelo ex-governador pode ser medida por duas iniciativas da própria oposição ao PSDB. A presidente Dilma convocou o empresário Gerdau, que acompanhou a implantação das medidas em Minas, para dar contribuição semelhante ao Governo Federal e, mais recentemente, o primeiro convite feito pelo prefeito eleito do PT em São Paulo Fernando Haddad foi a um profissional da área de gestão que vinha prestando serviços ao governo de Minas.

Muitos dos prefeitos eleitos vivem hoje verdadeira angústia. Querem fazer o melhor para suas comunidades locais, mas esbarram com freqüência na máquina administrativa emperrada que herdaram dos antecessores – ou até mesmo ajudaram a criar, sem pressentir que estavam remando na direção errada.

Fala-se muito, e com razão, nas desigualdades sociais e econômicas existentes no Brasil. Precisamos acrescentar em nossas preocupações a existência de uma outra: a desigualdade gerencial. É um fator que limita a busca de resultados nas políticas públicas na extensa lista de mais de 5.500 municípios de todas as regiões. Trata-se de um problema suprapartidário, pois não escolhe legenda para se manifestar ou ceifar suas vítimas.

O tamanho do desafio pode ser dimensionado com o “Perfil dos Municípios 2011”, pesquisa que o IBGE acaba de divulgar.

A Constituição de 1988 trouxe grande esperança para os municípios, ao conferir a eles atribuições e responsabilidades que antes pertenciam às esferas estadual e federal. Mas hoje, infelizmente, nas comunidades de menor população, os prefeitos vão tocando a vida como podem. Vida muito dura, já que ano a ano a União aumenta sua voracidade em direção aos recursos que historicamente cabiam aos municípios.

Aqueles administradores municipais que se dispuserem, para valer, a melhorar a qualidade da gestão, certamente terão andado boa parte do caminho para entregar à população benefícios em saúde, educação, segurança, transporte público ou meio ambiente. E para reduzir a distância das desigualdades gerenciais.

Aos poucos, vai ficando claro que a preocupação com a qualidade da gestão, longe de ser uma questão técnica e secundária, se revela fundamental: boa gestão combate a corrupção e significa melhores serviços para a população, com mais transparência. Por isso, é instrumento fundamental para conquista de avanços sociais duradouros.

Mais uma vez, Minas saiu na frente.

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