Entrevista coletiva do senador Aécio Neves após discurso no Senado

Entrevista coletiva do senador Aécio Neves após discurso no Senado
Em entrevista coletiva, senador Aécio Neves volta a criticar o PT

Após o pronunciamento no Senado sobre os 13 fracassos do governo do PT, o senador Aécio Neves deu uma entrevista coletiva para a imprensa em que continua a criticar o PT e fala da postura do PSDB para 2014.


Falta autocrítica ao PT from Liderança do PSDB on Vimeo.


Local: Brasília – DF
Local: 20-02-13

Dez anos no poder, mas o senhor acha que falta autocrítica do PT?

Essa é a grande verdade. O PT comemora, e é legítimo que comemore seus dez anos de poder, mas fazendo crer que o Brasil foi descoberto em 2003, quando o presidente Lula assume a Presidência da República. Não. O Brasil avançou em vários setores, mas essa é uma construção de muitos governos em diferentes momentos da história. E tem faltado ao PT generosidade para compreender a contribuição de outras forças políticas, de outros governos, e a capacidade da autocrítica. O PT, se teve acertos, e certamente os teve, se não não estaria no poder até hoje, teve equívocos muito graves nos últimos 20 anos de história do Brasil. Até além disso, desde a eleição de Tancredo, passando pelo Plano Real, onde o PT teve um posicionamento radical contra, na Lei de Responsabilidade Fiscal, o PT foi ao Supremo para inviabilizar a sua aplicação. O que queremos discutir são os passos para o futuro.  O PT apresenta ao Brasil, na comemoração dos seus dez anos, uma cartilha que remonta ao século passado, querendo rachar o Brasil entre nós e eles, entre os bons e os maus. Todos que são os adversários, segundo o PT, cometeram equívocos, e só nós temos virtudes. Não. É hora de o PT fazer autocrítica, reconhecer os gravíssimos equívocos no campo ético, no campo administrativo, os problemas sérios que estamos vivendo e vamos viver do ponto de vista econômico, com o recrudescimento da inflação, o pífio crescimento do PIB, a fragilização das nossas empresas estatais, esse é o debate do futuro. Fomos convidados para a festa do PT, no momento em que o PT nos elege para fazer seu contraponto. Eu aceito o convite e chamo o PR para dançar, mas vamos dançar a dança da modernidade. Vamos falar de um país que qualifica a educação, um país que investe solidariamente em segurança pública, que fortalece os municípios e os estados. Não esse país virtual que o PT criou e quer que os brasileiros acreditem que ele existe.

É uma nova postura do PSDB, senador?

Não é uma nova postura. É tudo a seu tempo. Eu disse no meu pronunciamento que não repetiremos a oposição que fez o PT, contra tudo e contra todos. Qualquer medida que vinha do governo Fernando Henrique o PT já era prioritariamente contra. Foi assim no Plano Real, foi assim em inúmeras outras medidas, no processo de privatizações, por exemplo, que o PT encampa hoje. Queremos discutir a nova agenda do Brasil. Queremos chamar atenção para o sucateamento da nossa indústria, por exemplo. Para os desmandos nas nossas estatais. Para o aparelhamento absurdo e a desqualificação da máquina pública. O crescimento do PIB brasileiro só foi maior que o do Paraguai no último ano. As coisas não vão bem e o PT quer vender ao país que eles construíram com todas as suas virtudes um país virtual. Um país onde metade da população não tem saneamento básico. Onde a saúde pública é um flagelo para grande parte da população brasileira em todas as regiões do país. Onde a qualificação da educação nos coloca nos últimos lugares em qualquer ranking internacional. Esse não é o país cor de rosa que o PT busca pintar. Vim aqui hoje para dizer: vamos discutir o Brasil real e é preciso que o PT tenha generosidade para reconhecer a contribuição dos que vieram antes, em especial na estabilização da moeda, e tenha também a capacidade de fazer autocrítica para não errar tanto, quanto já errou no passado.

Dentre os 13 pontos que o senhor apontou, o senhor qualificaria que a economia é o que mais preocupando?

Sem sombra de dúvidas. O baixíssimo crescimento da economia, e não adianta mais terceirizar responsabilidades, porque as crises americana, mais atrás,  e a europeia mais recentemente, afetaram todos ao países da nossa região, e nosso crescimento foi absolutamente pífio. Estamos vivendo um processo de desindustrialização extremamente grave. Isso não se corrige de um ano para o outro, nem de um mandato para o outro. A indústria vem perdendo competitividade, estamos voltando a ser exportadores de commodities, como éramos na década de 1950. Nossas principais estatais, patrimônio do povo brasileiro, perderam valor de mercado de forma extraordinária nos últimos anos, e falta firmeza na gestão da política fiscal brasileira. Perdemos no passado enormes oportunidade, com crescimento da arrecadação, de fazer ajustes importantes. Não fizemos. A agenda das reformas previstas, prometidas em duas eleições pelo presidente Lula e em uma pela presidente Dilma, ainda é agenda por ser feita. Portanto, a questão econômica é muito grave, mas o gerenciamento do país, a inapetência gerencial do governo e o aparelhamento da máquina pública se colocam também como preocupações que devem ser de todos brasileiros.

O senhor terminou o seu discurso falando sobre a lógica da reeleição. Foi uma herança ruim, que o PSDB, que trabalhou pela emenda da reeleição, deixou?

Essa foi uma decisão da maioria do Congresso. Quando falo da lógica da reeleição, falo nas ações governamentais. A partir do momento em que a presidente da República, e confesso que me surpreendi com ela se dispor a cumprir àquele papel, fugindo ou despindo-se da liturgia do cargo, ocupa uma cadeia de rádio e televisão para fazer proselitismo eleitoral, para falar do Brasil do nós ou eles, lembrando inclusive os piores tempos do regime militar, dizendo que os que não apoiam o governo são contra o país, ela inaugurou o processo eleitoral. E obviamente vai ter que administrar hoje as pressões da sua base do governo, porque todos entenderam o recado. A presidente, não sei se por inexperiência ou por alguma precipitação, ou até mesmo por alguma inquietude interna, em face de outras manifestações dentro do próprio PT, que gostariam de talvez de ver o ex-presidente Lula como candidato, ela antecipou o processo. Mas isso tem custos. E ela já está pagando esse custo com a imensa pressão dos seus aliados por espaços no governo. Infelizmente, o que move hoje o governo é a lógica da reeleição.

Mas o senhor também acha que a oposição tem que dançar?

Estamos fazendo isso. É o momento de discutir os temas que interessam ao país. Não é o momento da eleição, não acho que devamos antecipar a nossa agenda em razão de o governo federal ter antecipado a sua. Acho que, em um determinado momento, a presidente buscou dar ao próprio presidente uma satisfação interna, para dizer que ela era a candidata e eleição, mas com custo altíssimo em relação às pressões e à volúpia por cargos, por espaço e por verba pública da sua base aliada. Temos o nosso cronograma.  A nossa preocupação agora é identificar quais são os temas, e hoje julgo ter dado uma contribuição para isso. Quais os temas importantes para o Brasil do futuro, para superarmos as dificuldades que temos hoje. O sucateamento da Petrobras, as dificuldades pelas quais vai passas a Eletrobras. É incorreto dizer, uma falsidade das maiores que tenho ouvido, repetida por um senador aqui hoje do PT, que o PSDB esteve contra a diminuição das tarifas de energia. Não, queríamos uma diminuição maior, mas a custa da diminuição dos encargos federais, por exemplo o PIS/Cofins, que poderia ter elevado em 5% o desconto, a desoneração nas contas de luz. Estamos pontos para qualquer debate. Vamos fazê-lo frontalmente, com clareza, com elegância – que é uma característica nossa –, mas com absoluta firmeza. Mas candidatura o PSDB e as oposições só devem ter no início de 2014. 

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